Enfermeiro registrou série de imagens na linha de frente da vacinação de comunidades indígenas | Foto: Jones Carvalho

Mostra fotográfica registra povos indígenas da Amazônia durante combate à pandemia a partir do olhar de um profissional da saúde

Publicado em 09/06/2022

POR LUDWIG LARRÉ - ASCOM CCMQ
 

A Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), instituição da Secretaria da Cultura (Sedac), abre neste sábado, 11 de junho, a mostra fotográfica “MADIHÁ: pelo direito de existir”, do enfermeiro sergipano Jones Carvalho. A mostra pode ser visitada diariamente das 10h às 20h, no Espaço Majestic, situado no térreo da CCMQ (Andradas, 736 – Centro Histórico de Porto Alegre).

Radicado há 4 anos na Amazônia, Jones Carvalho esteve entre os profissionais contratados pelo Ministério da Saúde para atuar na linha de frente da vacinação de comunidades indígenas. Em 24 das imagens registradas durante esse período, o enfermeiro fotógrafo capta recortes dos sentimentos e do cotidiano dos povos originários durante a pandemia, como explica no texto curatorial a seguir:

“O sorrateiro clima e a sua inconstância. O trabalho extenuante. A desidratação causada pelo calor. O contexto elementar quase nunca é amigável para quem trabalha com a saúde indígena no Amazonas. Quando os limites de conforto físico e mental são rompidos, nos é exigido um posicionamento ativo que responda às intempéries do ambiente distante de serviços comuns ao padrão de vida paranèn (homem branco, na língua Kanamari).

Com a pandemia ocasionada pelo COVID-19, esta realidade mostrou-se ainda mais severa. O medo manifesto da morte e a dificuldade em prover uma resposta célere à moléstia nos tornou impotentes e, forçosamente, nos fez refletir sobre nossa incapacidade diante do controle da manutenção da vida. Estar inserido em um contexto de cuidado aos povos indígenas neste momento foi angustiante e desafiador. Nesta vivência, vi comunidades evacuadas, ouvi sobre fugas para a mata, senti cada morte e provei a adstringência da perda.

A vacinação trouxe o suspiro que faltava. Encheu-nos novamente os pulmões de ar e preencheu de significado a minha existência, por me dar a chance de atuar na proa em uma missão pela promoção da saúde de populações não-hegemônicas. Certamente esta foi a experiência mais emblemática que eu poderia vivenciar em quatro anos morando na Amazônia.

Atendendo pontas quase inóspitas desse País de poucos caciques, percorri o fulcro da floresta. E a cada ação que cumpria em território, o meu olhar era revigorado para as adaptações no modo de vida de povos indígenas em um contexto de pandemia. Em ligeiras oportunidades, pude fazer recortes imagéticos do momento da vacinação contra a Covid em povos originários residentes nas regiões do Rio Juruá e do Médio Rio Solimões e seus afluentes, contemplando fragmentos da rotina de povos das etnias Kanamari, Kulina, Deni, Mayoruna e Katukina.

Aspira, aplica, fotografa. Despretensiosamente, entre as miúdas horas de um cronograma exaustivo de vacinação, obtive o resultado desta exposição. Talvez, na tentativa de eternizar o sentimento vasto e significativo de participar deste momento histórico para a saúde pública, que traz significado ao valoroso saber ancestral combinado à ciência do homem branco. Não como um favor, nem como uma súplica, mas por um direito conquistado.” (Jones Carvalho)


“MADIHÁ: pelo direito de existir” – Mostra Fotográfica de Jones Carvalho
Abertura:
11 de junho
Onde: Espaço Majestic térreo da CCMQ (Andradas, 736 – Centro Histórico)
Visitação: diariamente, das 10h às 20h – entrada franca

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