Projeção de performance coletiva (d)enuncia mortes por Covid-19 no Brasil

Publicado em 21/01/2021

POR LUDWIG LARRÉ - ASCOM CCMQ
 

Artistas e não-artistas participam da ação que acontece entre os dias 25 e 30 de janeiro, com transmissão ao vivo pelo Instagram. A performance duracional será realizada de forma coletiva, reunindo mais de 50 convidados, que, ao longo de cinco dias, se revezarão de duas em duas horas, para contabilizar os números das vítimas fatais do Covid-19 no Brasil.

 

Além da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico de Porto Alegre), diversos pontos do país irão exibir a projeção da performance. O público poderá acompanhar ao vivo a leitura dos números pelo instagram @quaseoracao. A performance será encerrada ao atingir-se a marca total dos mortos até o momento.

A ação se prolonga por cinco dias (24 horas por dia), com a participação de pessoas de diferentes estados do território nacional, e brasileiros no exterior (Alemanha, Bélgica, Portugal, Itália, Inglaterra). Integram a ação nacional artistas e articuladores culturais locais como Chana de Moura, Cristina Ribas, Daniel Escobar, David Ceccon, Diego Groisman, Eduardo Montelli, Guilherme Dable, Guilherme Mautone, Izis Abreu, Juliana Proenço, Laura Cattani, Leticia Lopes, Manoela Cavalinho, Marcelo Chardosim, Paula Ramos e Rafael Pagatini, dentre outros.  

“Quase-oração”  

A atividade artística é uma resposta diante da relativização da vida humana, fundamentada na salvaguarda capitalista da economia, vivenciada na maior crise sanitária enfrentada no Brasil e no mundo nos últimos anos.

Solitária e em conjunto, a performance denuncia a impessoalidade dos números constantes nas estatísticas que dimensionam, para a opinião pública, de forma fria e objetiva a fatalidade devastadora do vírus. Em trecho do texto que embasa a ação performática, afirma-se: “O som de cada número está no lugar de uma vida – irrepetível, irrecuperável – que se extinguiu. Assim, a enunciação de cada número é realizada como um cumprimento de um rito lento, longo, repetido e sistemático. Uma quase-oração de despedida por e daqueles que deram seus últimos suspiros. Que a nós - sobreviventes inquietos e perturbados pela ameaça ou iminência da perda - o som dessa contagem persiga de forma incômoda e insistente, porque a contagem, assim como a ferida, ainda está em aberto.”

No momento em que retoma gradativamente e de forma controlada a visitação pública, a Casa de Cultura Mario Quintana recebe a performance coletiva “Quase-oração” como reafirmação das posturas adotadas pela instituição ao longo da pandemia. “É fundamental que um espaço cultural como a CCMQ dê visibilidade e registre, para que jamais seja esquecido, esse grande corpo de pessoas mortas pela pandemia”, resume o diretor da instituição, Diego Groisman.

 

Performance coletiva | “Quase-oração”
Quando:
das 8h do dia 25 às 8h do dia 30 de janeiro
Horário: 24 horas por dia
Onde: instagram @quaseoracao

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