Bloco "Não mexe comigo que eu não ando só" no compasso de respeito e igualdade de gênero | Foto: Joana Berwanger

Exposição temática se desdobra em atividades on-line no carnaval da Casa de Cultura Mario Quintana

Publicado em 10/02/2021

POR LUDWIG LARRÉ | ASCOM CCMQ

 

A mostra “Aos carnavais que virão”, que pode ser visitada na Sala Radamés Gnattali, 4° andar da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ – Andradas 736 – Centro Histórico de Porto Alegre), mediante agendamento pelo e-mail visitaccmq@gmail.com, ganha duas ações virtuais nestes ‘tempos bicudos’ de carnaval sem folia.
 


A partir desta quinta-feira, 11 de fevereiro, o Instagram @aos_carnavais_que_virão passa a ser alimentado pelo público com fotos que criam um acervo público vivo da memória do carnaval porto-alegrense. Entre 17 e 20 de fevereiro, pelo Instagram @ccmarioquintana, o jornalista Diego Vacchi, curador da mostra que reúne registros fotográficos e documentos históricos sobre os carnavais de rua de Porto Alegre, conduz as lives "De bloco em bloco", com música e conversa sobre a trajetória de blocos carnavalescos da atualidade.

Conforme Diego Vacchi, o projeto “De bloco em bloco” é um convite para que os foliões possam celebrar em casa o carnaval deste ano. “Quem abre esse desfile é o Turucutá - Batucada Coletiva Independente, grupo musical composto por instrumentos de percussão. Também vão estar conosco o pessoal do ‘Não mexe comigo que eu não ando só’, coletivo feminino que leva o debate do respeito e da igualdade de gênero para o espaço público, e o Bloco da Diversidade, que tem como característica marcante a defesa das pautas LGBTQIA+. Para encerrar a folia, temos mais conversa e música com o já tradicional Maria do Bairro, que, há 14 anos, deu a largada na retomada dos blocos de rua do carnaval de Porto Alegre”, detalha Vacchi.

O diretor da CCMQ, Diego Groisman, destaca o caráter de resistência e renovação das esperanças, representado pelo gesto simbólico de manter erguido o estandarte do carnaval e a batida dos tambores marcando o ritmo no qual tanto desejamos voltar a pulsar. “O carnaval é uma manifestação cultural popular importante, que precisa ser mantido e reafirmado neste momento de pandemia”, observa Groisman.

A mesma percepção tem o carnavalesco e fundador do Bloco Maria do Bairro, Zeca Brito, diretor do Instituto Estadual de Cinema (Iecine). “O carnaval é a expressão mais abrangente e democrática da cultura brasileira. É resultado do que somos, da confluência cultural, do encontro amoroso das diferenças. É a expressão da liberdade, do lirismo, da plasticidade de festejar a vida. Precisamos lembrar que não estará tudo bem enquanto não houver carnaval. Que o coração hoje é semente, que espera paciente, os carnavais que virão”, complementa Zeca.


Mostra “Aos carnavais que virão”

A curadoria do jornalista Diego Vacchi, que é graduando em História da Arte, partiu de pesquisa realizada em arquivos públicos da cidade, como o Museu Joaquim Felizardo. A mostra traz parte da história dos carnavais de rua de Porto Alegre, desde a década de 1930 até os blocos mais recentes, marcados pela retomada no ano de 2007. A homenagem aos festejos, apresenta os blocos humorísticos da década de 1930, como o emblemático “Tira o Dedo do Pudim”; as tribos carnavalescas, iniciadas em 1945; o espaço de resistência do Areal da Baronesa, uma das origens dos carnavais de rua da cidade. Entre as manifestações mais recentes, a Banda DK, fundada em pleno regime de exceção, na década de 1970, e os blocos atuais.

 

De bloco em bloco

Quando:
17/02 - quarta-feira - 21h - Música e conversa com o Turucutá Batucada Coletiva.
18/02 - quinta-feira - 21 h - Conversa com representante do bloco Não mexe comigo que eu não ando só.
19/02 - sexta-feira - 21h - Conversa com o Bloco da Diversidade.
20/02 - sábado - 17h - Música e conversa com o Bloco Maria do Bairro.
Onde: Instagram @ccmarioquintana

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