Plantas e ervas medicinais são inspiração para a designer de moda Clau Campos | Foto: Julia Rodrigues

Moda e processo de design criativo de estamparia da cultura afro-brasileira na Vitrine CCMQ

Publicado em 26/08/2021

POR LUDWIG LARRÉ | ASCOM CCMQ

 

A terceira ocupação do Projeto Vitrine CCMQ inicia no dia 3 de setembro com o projeto selecionado mediante edital da designer de moda Clau Campos. Em espaço nobre no térreo do complexo cultural, a ocupação expõe e comercializa, até 31 de outubro, uma coleção de moda exclusiva e apresenta os processos de criação e técnicas de produção de estampas com inspiração perpassada pelas plantas e ervas sagradas da cultura afro-brasileira.

A ação da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ – Andradas, 736 – Centro Histórico de Porto Alegre), instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), selecionou, mediante edital, cinco projetos para ocupar o espaço e comercializar produtos pelo período de dois meses, durante o qual recebem uma ajuda de custo. A iniciativa voltada a artistas, artesãos, designers e criadores é uma das tantas medidas da CCMQ e da Sedac com objetivo de fomentar alternativas à classe artística no cenário da pandemia.

O Complô Cunhã – Coletivo de Artesãs Mbyá-Guarani – abriu o projeto Vitrine CCMQ, expondo e comercializando artesanato tradicional indígena durante os meses de maio e junho. A iniciativa, além de garantir fonte de renda para o sustento das famílias indígenas, deu maior visibilidade à arte dos povos originários. Nos meses de julho e agosto, a Vitrine CCMQ exibiu obras de artistas oriundos da street art, reunidos no projeto Galeria Urbana RS com trabalhos em tela, papel, esculturas, vasos, camisetas e outros suportes.

Na nova atração da Vitrine CCMQ, Clau Campos evidencia a arte presente no vestuário, situando a inspiração nas plantas utilizadas nos cultos das religiões afro-brasileiras. “Elas são utilizadas em rituais religiosos e cuidados do dia-dia, para proteção, cura e bem-estar individual e coletivo, através banhos, defumação, uso medicinal como chás, entre outros. A narrativa desta coleção foi separada em pequenos contextos para a criação”, detalha a designer de moda.

O primeiro aspecto do processo criativo é a ancestralidade dos pretos-velhos e benzedeiras com suas ervas. A oralidade mantém os ensinamentos de geração em geração. “O uso das plantas para proteção, a entrada das casas, serviço e terreiras, a defumação utilizada pelos ritos religiosos, banhos de ervas, chás, ervas nativas brasileiras e plantas medicinais que vêm de longe. Para finalizar, Ossanha, orixá que tem o domínio e o conhecimento das plantas e ervas sagradas”, acrescenta a designer. 

A Vitrine CCMQ tem outros dois projetos selecionados para dar sequência à ocupação do espaço. A Gazzebo Art Gallery, propõe uma investida estética que busca a autonomia, produção e circulação da arte independente de Porto Alegre com novas percepções de conexões entre estados brasileiros. Já o Ponto de Cultura Território Ilhota vai apresentar processos criativos de reutilização de materiais para a prática ecológica desenvolvidos com moradores da Vila Renascença. Os projetos classificados na suplência são “Regueifa – Instrumentos Atemporais”, do multi instrumentista e pesquisador Tales Melati, e “Ocupação artística-cultural Aquilombaí”, do coletivo Bucepretas.

Designer de moda, com foco no design de superfície, Clau Campos é licenciada e bacharel em História, especialista em História Africana e Afro-Brasileira, mestre em História Social. Exerceu o magistério por 12 anos em projetos do governo federal, em escolas particulares e no Colégio de Aplicação da UFRGS, no qual contribuiu para a implantação da Semana da Consciência Negra. É uma das idealizadoras e coordenadoras do Fashion Black/POA, em parceria com a Casa de Cultura Mario Quintana. Compõe a Lab Moda Sustentável, plataforma multissetorial que apoia iniciativas e intervenções para uma moda mais sustentável e ética. Pertence ao Coletivo Casa de Joana, espaço de trabalho de empreendedores negros, de prestação de serviço e venda de produtos. É proprietária da Clau Stampas, marca de roupas e acessórios afro- sustentáveis, que tem como propósito contar a história e a cultura afro-brasileira através da estamparia. Utiliza tecidos sustentáveis para a impressão de estampas e confecção de roupas. Com preocupação no descarte dos resíduos têxteis, confecciona acessórios e doa parte das sobras de tecidos para a produção de jogos lúdico-pedagógicos de uma marca parceira.

Vitrine CCMQ - Moda e design de estamparia da cultura afro-brasileira
Onde:
térreo da CCMQ (Andradas, 736 – Centro Histórico)
Quando: 3 de setembro a 31 de outubro
Horário de visitação: segundas a sábados, das 10h às 18h

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